sábado, 7 de fevereiro de 2026

"Neurónios Poéticos" - Poema de Ana Luísa Amaral


 

Charles-Amable Lenoir (French painter, 1860-1926), To the Return of Times Lost
(A la Recherche du Temps Perdu)
, Unknown date. Oil on canvas. Private collection.



Neurónios Poéticos


Algum neurónio que fugiu à mãe
e se refugiou no canto esquerdo,
sob o meu ouvido.

Aí, fez ninho,
redondo e tão preciso
como centro do alvo
mais premente.

O coração desbaratando forças,
uma saudade sempre
consistente:
a mãe nunca deixando
de o chorar.

De vez em quando, o seu suspiro
ecoa, no canto esquerdo
sob o meu ouvido
- que o eco mo devolve
do avesso.

E uma lágrima cai na
folha em frente. Redonda,
independente.

Inundando (depende) ora centro,
ora canto, ora margem de texto.
O ninho devagar:
desequilíbrio manso.
 
Charles-Amable Lenoir, The Flute Player, Unknown date. Oil on canvas.


"A vocação do artista é lançar luz sobre a alma humana."


(George Sand)




Eugène Delacroix (French Romantic artist, 1798-1863),
"George Sand", 1838, Ordrupgaard-Museum.



George Sand, escritora francesa, de seu verdadeiro nome Amantine Lucile Aurore Dupin de Francueil, baronesa Dudevant, nascida em 1804 e falecida em 1876, inicia a publicação dos romances passionais Indiana e Valentine (1832) sob o pseudónimo masculino George Sand. 
Figura controversa da sociedade parisiense, tem uma longa ligação com Chopin e expressa as suas ideias políticas, caracterizadas por um socialismo idealista, em revistas e jornais. 
Uma nova fase da sua vida, passada no campo, repercute-se nos temas de François le Champi (1847-48) e La Petite Fadette (1849). 
Em Elle et Lui (1859), romance de cariz autobiográfico, aborda a sua ligação com Musset e inaugura uma fase memorialista (que viria a incluir Rêveries e Souvenirs, 1871-72). A sua Correspondência figura como um documento incontornável para o conhecimento do século XIX e de uma mulher de exceção. (daqui)

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