
Vittorio Matteo Corcos (Italian painter, 1859–1933),
Conversation in the Jardin du Luxembourg, Paris, 1892.
Canto místico
Aqui estou, Senhor, no meio desta nave
Para cantar em teu louvor.
Minha voz é prisioneira da garganta:
Conhece a gama dos sons e não pode cantar.
Há vibrações sonoras em meus nervos.
Mas a voz ausentou-se de meu ser.
Teu mundo é uma ciclópica poesia
Que brilha no céu e brota no chão
E ruge e ri, e canta e chora.
Não encontro, porém, as palavras exatas
Dessa canção.
Se eu pudesse, ao menos,
Cantar a plenitude singela
De um momento feliz.
Dizer a inocência de uns olhos de criança,
Olhando serenos nos olhos da mãe...
A música das esferas
Sinto fremir, ouço vibrar
E não posso cantar.
Aqui estou, prisioneira de minha mudez,
Aflita em pranto, no silêncio grave
Da iluminada imensidão de tua nave.
Helena Kolody,
Para cantar em teu louvor.
Minha voz é prisioneira da garganta:
Conhece a gama dos sons e não pode cantar.
Há vibrações sonoras em meus nervos.
Mas a voz ausentou-se de meu ser.
Teu mundo é uma ciclópica poesia
Que brilha no céu e brota no chão
E ruge e ri, e canta e chora.
Não encontro, porém, as palavras exatas
Dessa canção.
Se eu pudesse, ao menos,
Cantar a plenitude singela
De um momento feliz.
Dizer a inocência de uns olhos de criança,
Olhando serenos nos olhos da mãe...
A música das esferas
Sinto fremir, ouço vibrar
E não posso cantar.
Aqui estou, prisioneira de minha mudez,
Aflita em pranto, no silêncio grave
Da iluminada imensidão de tua nave.
Helena Kolody,
in "Paisagem interior", 1949.
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