sexta-feira, 10 de maio de 2013

"Para Ti" - Poema de Mia Couto



Frederick Childe Hassam (American Impressionist painter, 1859–1935),
'Lady in the Park', 1897


Para Ti


Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida


Mia Couto,
in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas" 



Frederick Childe Hassam, 'The Water Garden', 1909


"Nunca quebres o silêncio se não for para o melhorar."

(Ludwig van Beethoven)



Joseph Karl Stieler, 'Portrait of Ludwig van Beethoven
when composing the Missa Solemnis',
1820


Ludwig van Beethoven, nascido, provavelmente, a 16 de dezembro e batizado - no dia seguinte - a 17 de dezembro de 1701 — Viena, 26 de março de 1827) foi um compositor alemão, do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). 
 
É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos. 
 
"O resumo de sua obra é a liberdade", observou o crítico alemão Paul Bekker (1882–1937), "a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspetos da vida".

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