quinta-feira, 13 de junho de 2019

"Paz" - Poema de Teixeira de Pascoaes



Jean-Pierre Houël (French painter, engraver and draftsman, 1735–1813),
L'Etna visto da Catania, 1770.


PAZ


Como ao terror do Inferno
Sucedeu
O horror do Nada!
A inquietação moderna,
A antevisão
Da cósmica catástrofe,
Prometida
Por sábios e teólogos
Apocalípticos.
Divino Orfeu, vem tu, salvar-nos.
Tange de novo a Lira!
Amansa as feras.
Que o teu cantar volatilize
A estátua em bronze do Deus Marte!
A esculpa, em oiro amanhecente,
Sobre o mais alto
Píncaro do mundo,
O Anjo simbólico
Da Paz!


Teixeira de Pascoaes, in 'Últimos Versos';
in 'Obras Completas de Teixeira de Pascoaes' 

[Obras Completas de Teixeira de Pascoaes – Coleção completa, onze volumes. Introdução e aparato crítico por Jacinto do Prado Coelho. Volumes: IBelo; À Minha Alma; Sempre; Terra Proibida, IIÀ Ventura; Jesus e Pã; Para a Luz; Vida Etérea, III As Sombras; Senhora da Noite; Marânus, IVRegresso ao Paraíso; Elegias; O Doido e a Morte, VCantos Indecisos; Londres; Dom Carlos; Cânticos; O Pobre Tolo, VI Painel; Versos Pobres; Últimos Versos; Dispersos; Outros poetas falam de Pascoaes; Índice dos seis primeiros volumes, VIIProsa I – Pascoaes: do verso à prosa; Livro de Memórias, VIII Prosa II – O Bailado, IXProsa III – O Pobre Tolo (versão inédita), X Prosa IV – A Beira (Num Relâmpago); Duplo Passeio, XI O Empecido.] – Editora: Livraria Bertrand
 

 

A Alma


A alma não é mais
Que transcendente imagem
De tudo quanto abrange
A luz do nosso olhar.
É o retrato perfeito
E fiel duma paisagem:
Tem uma serra ao fundo, e, depois dela, o mar.


Teixeira de Pascoaes

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