domingo, 28 de fevereiro de 2021

"Porquinho-da-Índia" - Poema de Manuel Bandeira



Alfred Richardson Barber (British, 1841-1925), Escaped: Two rabbits and a guinea pig, 1880



Porquinho-da-Índia

 
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração eu tinha
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,
Ele não se importava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…

– O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.
 
 
‘Three unknown Elizabethan children’ by unknown Anglo-Netherlandish artist, c.1580.
 Privately owned. Image courtesy of National Portrait Gallery. London. (Daqui)


Adotar um animal, seja de que espécie for, implica um compromisso do tutor, no sentido de lhe disponibilizar todos os recursos necessários para o seu bem estar físico e psicológico. O primeiro passo será o de se informar sobre a espécie escolhida, as suas necessidades alimentares, o seu comportamento social e reprodutivo, as suas características físicas e psicológicas. 
 
Os  porquinhos-da-índia são dos roedores mais populares como animais de companhia. São dóceis com os humanos, o seu tamanho permite serem facilmente manipulados, mesmo por crianças e não são trepadores ou escavadores, o que facilita a manutenção em ambiente doméstico. A sua domesticação tem aproximadamente 3000 anos, muito provavelmente porque começaram a aproximar-se dos aglomerados habitacionais para, oportunisticamente, inspecionarem as lixeiras humanas. Foram, inicialmente, criados para alimentação e mais tarde como animais de laboratório, tendo sido, durante anos, um dos animais mais utilizados em experimentação. 
 
São originários da América do Sul, onde vivem em grandes grupos, à superfície, apesar de se esconderam em buracos nas rochas ou em tocas abandonadas por outros animais, porque não as escavam eles próprios. São presas fáceis de carnívoros de maior tamanho, sendo, devido a este facto, animais tímidos e facilmente assustáveis. As crias nascem em zonas abertas, sem a proteção de um abrigo e estão por sua conta desde logo. Ao contrário da maioria das espécies, são, ao nascimento, pequenas cópias dos adultos, com a pelagem completa e os olhos abertos, depois de longas gestações de cerca de 63 dias (31 dias nos coelhos, 21 dias nos ratos, 16 dias nos hámster). Com dois dias de vida estão a comer o mesmo que os pais. 
 
Foram trazidos para a Europa pelos marinheiros espanhóis, que foram os primeiros a manter esta espécie como animais de estimação. Antes disso eram criados simplesmente para alimentação humana, pelos Incas e ainda hoje, algumas raças o são, mesmo no Reino Unido.

Permanece um mistério o nome dado à espécie, no nosso português, uma vez que a sua origem nada tem a haver com a Índia.

Os porquinhos-da-índia são animais de prado, muito fáceis de manter, quando corretamente acomodados. Precisam simplesmente de um local quente e seco, uma boa dieta herbívora, acesso regular a ervas frescas e espaço para se exercitarem regularmente. As raças de pelo longo, de aspeto mais exótico, exigem mais cuidados na manutenção de uma pelagem sã. Como animais sociais vivem em colónias familiares e esta característica deve ser respeitada quando os mantemos como animais de estimação. (Daqui)
 
 
Algumas raças de porquinhos-da-índia
(Daqui)
 Inglês
 
 
 Teddy
 
 
Abissínio


 Coroado Inglês
 
 
 Ridgeback
 
 
 Peruano
 
 
 Rex
 
 
 Alpaca
 
 
 Coronet
 
 
 Skinny
 
 
 Selvagem

[O porquinho-da-índia selvagem tem hábitos noturnos. Seu corpo é alongado assim como o nariz, que ao contrário do porquinho-da-índia doméstico é arredondado. A coloração  é sempre cinza, enquanto que os  domésticos são de variadas cores.]
 
 
Alfred Richardson Barber, A family of rabbits, c. 1890 
 
 
"Eu não tenho dúvidas que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual, parar de comer animais." 
 
 
Henry David Thoreau foi um ensaísta e poeta norte-americano, nascido em 1817 e falecido em 1862. Viveu de acordo com as doutrinas existenciais do Transcendentalismo, em larga medida definidas por Ralph Waldo Emerson. Colaborou regularmente com a revista The Dial, onde publicou ensaios e poemas. O relato Walden (1854) expõe a sua experiência de ter vivido só e em contacto com a natureza entre 1845 e 1847 nas margens do lago que dá o nome ao livro. O ensaio Civil Disobedience (Desobediência Civil, 1849) mostra o seu apego e a sua defesa das liberdades civis. (Daqui)

 
ovolactovegetariano

"ovolactovegetariano", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/ovolactovegetariano [consultado em 27-02-2021].
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"ovolactovegetariano", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/ovolactovegetariano [consultado em 27-02-2021].
Alfred Richardson Barber, A rabbit family with carrots and cabbages, 1886 


"Os animais são meus amigos...e eu não como meus amigos." (Daqui)
 


George Bernard Shaw foi um escritor e crítico literário irlandês, nascido a 26 de julho de 1856, em Dublin, e falecido a 2 de novembro de 1950. Foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1925. Oriundo de uma família de poucas posses, nunca frequentou a universidade. Em 1876 mudou-se para Londres e trabalhou como jornalista, embora o seu sonho fosse ser escritor. Nunca deixou de escrever apesar do insucesso dos seus primeiros trabalhos. Tornou-se crítico de teatro, de arte e de música em várias publicações como Saturday Review, Our Corner, The Pall Mall Gazette, The Wordl e The Star.
Como membro da Social Democratic Federation, teve a oportunidade de conhecer a obra de Karl Marx. Desde então tornou-se socialista ativo, membro do Fabian Society, deu palestras e distribuiu panfletos, alguns da sua autoria como The Fabian Manifesto (1884) e Socialism for Millionaires (1901). Participou em várias ações que mais tarde levaram ao aparecimento do Partido Trabalhista (Labour Party). Entretanto escreveu várias peças de carácter político como Arms and the Man (1894), Devil's Disciple (1897), Man and Superman (1902), Major Barbara (1905) e Pygmalion (Pigmalião, 1913). Como socialista convicto, foi um dos opositores à Primeira Guerra Mundial. Após a guerra, escreveu diversas peças de sucesso, como Heartbreak House (1919), Back to Methuselah (1921), St. Joan (1923), The Apple Cart (1929) e Too True to be Good (1932), que lhe proporcionaram o prémio Nobel. (Daqui)  

 
 Edgar Hunt (British, 1876–1953), In the farmyard, 1924 
 

"O que não concebo é degolar um cabrito, asfixiar uma pomba, cortar a nuca de uma galinha ou dar punhaladas num porco para que eu coma seus restos. Não é por uma questão de química biológica o motivo de eu me ter passado para as fileiras do ovolactovegetarianismo, mas pelo imperativo moral de que minha vida não seja mantida às custas da vida de outros seres."

Eduardo Alfonso (1894-1991), médico naturista espanhol 
 
 
 Edgar Hunt, Goats in a Farmyard
 
 
  "O princípio da moral humana começa pelo respeito a toda criatura vivente."
 
 
Albert Schweitzer foi um teólogo, filósofo, músico, organista e médico missionário alemão nascido em 1875, em Kaysersberg (atualmente parte da França), e falecido em 1965, no Gabão, na África. Estudou nas universidades de Estrasburgo, Paris e Berlim. Como médico missionário fundou o seu próprio hospital no Gabão. Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1952, pelo esforço a favor da Irmandade das Nações. Escreveu algumas obras sobre os Livros do Novo Testamento. (Daqui)
 
 
ovolactovegetariano

"ovolactovegetariano", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/ovolactovegetariano [consultado em 27-02-2021

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