terça-feira, 27 de janeiro de 2026

"Oração de todas as horas" e "A cada verso nasço" - Poemas de Sebastião da Gama



Auguste Herbin (French painter of modern art, 1882–1960),
After the Rain at La Roche-Guyon, 1906.



Oração de todas as horas 

 
Agora,
que eu já não sei andar nas trevas,
não me roubes a Tua Mão, Senhor,
por piedade!
Voltar às trevas não sei,
e sem a Tua Mão não poderei
dar um só passo em tanta Claridade.

Pelas Tuas feridas minhas, pelas tristezas
de Tua Mãe, Jesus.
não me deixes, no meio desta Luz,
de pernas presas...

Não me deixes ficar
com o Caminho todo iluminado
e eu parado e tão cansado
como se fosse a andar...
 

Sebastião da Gama (1924-1952)




Auguste Herbin, Maison au bord du Fleuve, 1906.
 

A cada verso nasço


A cada verso nasço…
É cada verso o meu primeiro grito
à Vida…

Depois,
se caminho apalpando e aos tombos, e se, aflito,
não atino e me perco até de mim
– é que os raios do Sol cegaram, despiedados,
meus olhos mal abertos, costumados
à escuridão do ventre de onde vim.


Sebastião da Gama 

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