Firmino Monteiro (Pintor brasileiro, 1855 - 1888), Paisagem, 1885, Museu Afro Brasil.
Vozes do Mar
Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?
Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?
Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?
Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!
Donde vem essa voz, ó mar amigo?
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade
Florbela Espanca, Poesia Completa,
Publicações Dom Quixote, 2000.
Chamando por Camões numa saudade
Florbela Espanca, Poesia Completa,
Publicações Dom Quixote, 2000.

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