Voei em mim, voei. Meu voo se perdeu
Num fatigante abraço. Um beijo que me deste
Me conduziu a um mundo, a um mundo de além-Eu.
Onde voei sem ti, onde tu me perdeste.
Há quantos anos já!... Há quantos anos foi!...
Lembro-me que lutei co'um vento de agonia
Uma ilusão perdida, um fenecer do dia,
E lembro-me que fui da minha vida herói.
Ó mãe do meu amor sempre p'ra mim perdida!
Eu sinto-me cansado, eu vivo numa vida
Onde não canta a Alma, onde não sei viver!
Quando passaste em mim, um beijo me deixaste
Na sombra do meu peito, em Dor o emolduraste...
Ó ilusão de mim! Ó névoa do meu Ser!
Alfredo Guisado,
in revista "O Occidente" de 30 de janeiro de 1914.
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