quinta-feira, 1 de março de 2012

"Campo" - Poema de Afonso Duarte



Arkady Rylov
(Russian and Soviet Symbolist painter, 1870–1939),
Landscape with a River, 1913.


Campo 


Este verde impossível de ser, 
Que alegre o camponês cultiva a prazo, 
Não dá sequer para me aborrecer 
Na extensão sem fim do campo raso. 

Sem fim, a vida, deixa-se correr 
Lisa e fatal, serena, sem acaso. 
E acontece o que tem de acontecer 
Como quem já da vida não faz caso. 

Nada se passa aqui de extraordinário: 
Tudo assim, como peixe no aquário, 
Sem relevo, sem isto, sem aquilo; 

Muito bucólico a favor da besta, 
O campo, sim, é esta coisa fresca... 
Coaxar de rãs, a música do estilo.
[Afonso Duarte (Ereira, 1 de Janeiro de 1884 — Coimbra, 5 de Março de 1958) foi um poeta português. Interessou-se por temas de etnografia e arte popular portuguesa, refletidos na sua obra poética, ligada às crenças e mitos seculares, aos motivos da terra, vida animal, ao povo e à lide agrária.]



Arkady Rylov, Autumn landscape. Golden birch trees, 1905.


"O homem, seja qual for o glorioso nome com que se adorna, é, em minha opinião, um animal infeliz. Fazemos pouco bem e muito mal e, o que é mais grave, fazemos mal o pouco bem que fazemos."

(Jean Baptiste Alphonse Karr)

[Jean-Baptiste Alphonse Karr (24 de novembro de 1808, Paris, França - 29 de setembro de 1890, St Raphael, França), foi um crítico, jornalista e novelista francês. Estudou no colégio de Borbon, mas, por razões de subsistência, foi obrigado a interromper os estudos e empregou-se como professor auxiliar. Em 1832, publicou a sua primeira novela Sous les tilleuls e devido ao êxito dessa obra, decidiu dedicar-se à literatura. Algumas das suas obras encontram-se traduzidas em português.]



Arkady Rylov, The Forest Stream, 1929.



"Creio no Deus que fez os homens, e não no Deus que os homens fizeram."

(Jean Baptiste Alphonse Karr)



Arkady Rylo, Orlinka river Estuary, 1928.


“Cada homem possui três personalidades: a que exibe, a que tem e a que pensa que tem.”

(Jean Baptiste Alphonse Karr)


 
Arkady Rylov, Backwoods, 1920.

 

Jorge Palma - "Página em branco"


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