
Arkady Rylov (Russian and Soviet Symbolist painter, 1870–1939),
Landscape with a River, 1913.
Campo
Este verde impossível de ser,
Que alegre o camponês cultiva a prazo,
Não dá sequer para me aborrecer
Na extensão sem fim do campo raso.
Sem fim, a vida, deixa-se correr
Lisa e fatal, serena, sem acaso.
E acontece o que tem de acontecer
Como quem já da vida não faz caso.
Nada se passa aqui de extraordinário:
Tudo assim, como peixe no aquário,
Sem relevo, sem isto, sem aquilo;
Muito bucólico a favor da besta,
O campo, sim, é esta coisa fresca...
Coaxar de rãs, a música do estilo.
[Afonso Duarte (Ereira, 1 de Janeiro de 1884 — Coimbra, 5 de Março de 1958) foi um poeta português. Interessou-se por temas de etnografia e arte popular portuguesa, refletidos na sua obra poética, ligada às crenças e mitos seculares, aos motivos da terra, vida animal, ao povo e à lide agrária.]
[Jean-Baptiste Alphonse Karr (24 de novembro de 1808, Paris, França - 29 de setembro de 1890, St Raphael, França), foi um crítico, jornalista e novelista francês. Estudou no colégio de Borbon, mas, por razões de subsistência, foi obrigado a interromper os estudos e empregou-se como professor auxiliar. Em 1832, publicou a sua primeira novela Sous les tilleuls e devido ao êxito dessa obra, decidiu dedicar-se à literatura. Algumas das suas obras encontram-se traduzidas em português.]
Arkady Rylo, Orlinka river Estuary, 1928.
“Cada homem possui três personalidades: a que exibe, a que tem e a que pensa que tem.”
(Jean Baptiste Alphonse Karr)
Jorge Palma - "Página em branco"



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