quarta-feira, 14 de março de 2012

"Bebido o luar" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen



Robert Duncan (American painter, b. 1952) 


Bebido o luar


Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar. 

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos. 

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver. 


Sophia de Mello Breyner Andresen,
in "Dia do mar", 1947



Robert Duncan (American painter, b. 1952), Let's go girl


"Aconteça o que acontecer, a facilidade faz-me mal; do que me persegue eu fujo; 
o que me foge, isso eu persigo."

(Públio Ovídio Naso)

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