Poema do Homem Só
Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refrata,
nenhum ser nós se transmite.
Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.
Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.
Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarce,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso e de mais ninguém.
[Rómulo de Carvalho (pseudónimo António Gedeão)]
Obras de Edward Hopper
Edward Hopper, Pennsylvania coal town, 1947.
Edward Hopper, Table for Ladies, 1930.
Edward Hopper, Chair Car, 1935.
Edward Hopper, Rooftops, 1926.
Edward Hopper, Four Lane Road, 1956.
Edward Hopper, First row orchestra, 1951.
"O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica."
Edward Hopper, Summertime, 1943.
Os covardes nunca tentam, os fracassados nunca terminam, os vencedores nunca desistem."
Edward Hopper, Summer Evening, 1947.
"O pensamento positivo pode vir naturalmente, mas também pode ser aprendido e cultivado, mude os seus pensamentos e mudará o seu mundo."





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