quinta-feira, 19 de junho de 2025

"O Menino Doente" - Poema de Manuel Bandeira


 
John Bond Francisco (American painter and violinist, 1863-1931), The Sick Child, 1893,
Smithsonian American Art Museum.



O Menino Doente



O menino dorme.

Para que o menino
Durma sossegado,
Sentada a seu lado
A mãezinha canta:

— "Dodói, vai-te embora!
"Deixa o meu filhinho.
"Dorme... dorme... meu..."

Morta de fadiga,
Ela adormeceu.

Então, no ombro dela,
Um vulto de santa,
Na mesma cantiga,
Na mesma voz dela,
Se debruça e canta:

— "Dorme, meu amor.
"Dorme, meu benzinho..."

E o menino dorme.


Manuel Bandeira,
in O Ritmo Dissoluto, 1924




O Ritmo Dissoluto de Manuel Bandeira 
Editora: GLOBAL



SINOPSE

Considerado o primeiro grande livro de poemas de Manuel Bandeira, O ritmo dissoluto representa o amadurecimento do poeta de Pasárgada, que, nesta composição, encontra e domina uma fala mais pessoal e mais intimista com os personagens e situações retratadas.

Publicada anteriormente como parte do volume Poesias, de 1924, acompanhada de dois livros anteriores (A cinza das horas, de 1917, e Carnaval, de 1919), a obra, lançada agora pela Global Editora, com apresentação de Alcides Villaça, traz alguns poemas célebres de Bandeira como “Na Rua do Sabão”, “Berimbau” e “Os sinos”, além de um caderno iconográfico com a capa da primeira edição do volume Poesias, fotos do poeta e uma resenha sobre o livro publicada em 1925 no jornal Correio da Manhã. O livro promove um feito definitivo de Bandeira: a apropriação do poético que o toma de súbito, na força insuspeitada de um momento significativo que passaria sem registo se não fosse a absorvente presença de quem o reconhece, o acolhe e o formaliza com fluência natural. (daqui)

 

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