domingo, 6 de novembro de 2011

"Cantiga Outonal" - Poema de Cecília Meireles



Johan Krouthén (Swedish artist, 1858–1932), "House behind the autumn trees", 1910


Cantiga Outonal



Outono. As árvores pensando...
Tristezas mórbidas no mar...
O vento passa, brando... brando...
E sinto medo, susto, quando
Escuto o vento assim passar...

Outono. Eu tenho a alma coberta
De folhas mortas, em que o luar
Chora, alta noite, na deserta
Quietude triste da hora incerta
Que cai do tempo, devagar...

Outono. E quando o vento agita,
Agita os galhos negros, no ar,
Minha alma sofre e põe-se aflita,
Na inconsolável, na infinita
Pena de ter de se esfolhar...


Cecília Meireles
,
de 'Nunca Mais... e Poema dos Poemas', 1923 
 
 
 'Nunca Mais... e Poema dos Poemas' de Cecília Meireles
 Editora Global
 

SINOPSE

Segundo livro de poemas de Cecília Meireles, foi publicado em 1923, quando Cecília tinha cerca de 20 anos. Muito jovem, à procura de respostas, a poeta revela seus estados de alma, nos quais predominam tristeza e desencanto. No entanto, sua musicalidade e sua lírica encantada iluminam os 42 poemas, divididos em duas partes, que constituem este livro magnífico.

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