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Tom Shropshire (American artist, born 1943), "Foggy Afternoon", 2017.
Outono
Criei a alma. A vegetação de países
irrepetíveis. Vastos bosques orlam os caminhos. Os muros
dão para o mar. As aves pontuam o céu. As ondas arremessam-se
sobre o litoral. O poema é cruel,
indeciso.
Preparei a nostalgia violenta da criação. Sentei-me
nos bares marítimos de cidades inglesas, esperando barcos
que não vieram. Invoquei regressos, longas
viagens, percursos espirituais. Cada dia me trouxe
uma diferente sensação.
As folhas juncam o chão. O terror
assola o planalto, as populações mórbidas
do poente. Uma voz canta as mulheres obscuras
de Southampton. Chove no poema
há alguns anos. O poeta abre, finalmente,
o chapéu de chuva.
Nuno Júdice, in "A Noção do Poema", 1972;
in "Obra Poética 1972–1985", pág. 30,
Quetzal Editores, 1991.
"Uma árvore em flor fica despida no outono. A beleza transforma-se em feiura, a juventude em velhice e o erro em virtude. Nada fica sempre igual e nada existe realmente. Portanto, as aparências e o vazio existem simultaneamente."
Citação atribuída ao 14º Dalai Lama (Tenzin Gyatso)
Acrylic on Stretched Canvas, 40.6 × 50.8 cm.
Private Collection
"Eu encontro esperança nos dias mais sombrios, e foco nos mais brilhantes. Eu não julgo o universo."

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