Charles Webster Hawthorne (American painter and teacher, 1872–1930),
The Lovers, c. 1900, Private collection.
Presságio
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr’a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
Fernando Pessoa
[“Presságio” também conhecido por “Amor”, do Ortónimo Fernando Pessoa,
foi publicado no dia 24 de Abril de 1928.]
Galeria de Charles Webster Hawthorne
Charles W. Hawthorne, Crimson Roses, 1905
Portrait of Mrs. Woodruff, 1923
Charles W. Hawthorne, The Bath:
Portrait of Emelyn Nickerson With Baby, 1915
Charles W. Hawthorne, The Bath:
Portrait of Emelyn Nickerson With Baby, 1915
Charles W. Hawthorne, Impressionist Figure, 1910
"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina,
"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina,
há falta de amor. Um é a sombra do outro."
Carl Jung
[Psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia analítica, 1875–1961]

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1 comentário:
Olá, Tia! :P
Estou a gostar muito do teu blog, já é o terceiro comentário de hoje xd
Bem, para começar, mais uma vez o Fernando Pessoa em grande!
Gostei muito do poema, esta estrofe
"Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!"
está lindíssima! : )
Não fiquei grande fã das pinturas de Charles W. Hawthorne...
Gostei muito, mais uma vez, de todas as citações que fizeste!! : )
Beijinhos,
Márcia!
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