quinta-feira, 23 de abril de 2026

"Os Nomes" - Poema de Maria Alberta Menéres



Olaf Ulbricht (German artist, born 1951), "Spring", 2022.
Acrylic on Wood, 48 × 54 cm. Private Collection.


Os Nomes 
 
 
Porque é que me chamo coelho
E não me chamo melão?

Porque é que me chamo lagartixa
E não me chamo cão?

Porque é que me chamo uva
E não me chamo chuva?

Porque é que me chamo Maria do Céu
E não me chamo chapéu?

Porque é que me chamo pedra
E não me chamo perna?

Porque é que me chamo cebola
E não me chamo papoila?

Porque é que me chamo casa
E não me chamo asa?

Porque é que me chamo Sol
E não me chamo Lua?

Porque é que me chamo Lua
E não me chamo caracol?

Cada coisa tem o seu nome
Para assim ser conhecida. 


Maria Alberta Menéres
, em 'Conversas com Versos',
Lisboa, Edições Asa, 2005.
 

Pinturas de Olaf Ulbricht
 
Olaf Ulbricht, "Spring", 2017

 
Olaf Ulbricht, "Village in Spring"
 

Olaf Ulbricht, "News under the cherry tree", 2018
 
 

Olaf Ulbricht, Spring on the Edge of the Village, 2021
 
 

Olaf Ulbricht, "Spring on the Edge of the Village", 2021
 
 
Céu de primavera
no jardim dorme a menina.
Qual a flor do sonho?
 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

"Repelente" - Poema de Ricardo da Cunha Lima


 
Lucas Higashi (Artista multimeios, compositor, músico, produtor musical, designer
gráfico, ilustrador, editor audiovisual e diretor criativo nipo-brasileiro, n. 2002.),
Ilustração para capa de máteria do Conexão Ciência.
(daqui)
 
 
Repelente


Quando a família de insetos
chegou à cidade grande,
levou um susto completo.
O mosquito-pai falou:
— Quanta gente! Que terror!
Só queremos passear,
mas esse monte de gente
não nos deixa nunca em paz!
Que criaturas mais chatas!
Isso incomoda demais!
Então, falou pros filhinhos:
— Olho nos seres humanos!
Eles causam muitos danos!
Cuidado com as raquetes,
raquetinhas, mãos, toalhas,
agasalhos, blusas, malhas,
travesseiros, almofadas,
panos, sprays em geral.
Chinelos são um flagelo!
Jornal é sempre fatal!
Mas o que é o principal,
isto, sim, é muito urgente:
não se esqueçam de passar
o repelente… de gente!


Ricardo da Cunha Lima, em 'De volta', 
Companhias das Letrinhas, 2022.
 


'De volta' de Ricardo da Cunha Lima,
Ilustrações de Rodrigo Fischer,
Companhias das Letrinhas, 2022.


SOBRE O LIVRO 


Esta é uma obra lúdica e cativante que celebra a volta de Ricardo da Cunha Lima à poesia para as crianças com cenários fantásticos e repletos de rimas divertidas.
 
Nas páginas deste livro, os leitores vão visitar um castelo feito de chantili e dos doces mais deliciosos que existem, conhecer um veloz ventilador que também sente calor e presenciar uma chuva de gotas coloridas. Além disso, com o premiado poema "Um par de lições do lápis", todos vão se encantar com a magia que uma boa história traz.
Este festival de rimas ao lado de personagens surpreendentes, aventuras divertidas e ilustrações de Rodrigo Fischer que brincam com elementos surreais e nonsense marca a volta de Ricardo da Cunha Lima à poesia dedicada aos leitores mais jovens. Indicado para leitores a partir de 6 anos.
 (daqui)
 

"Alinho" - Poema de Luci Collin

 


Claude Monet, Meadow with Poplars (Poplars near Argenteuil, Val-d'Oise), 1875,
Museum of Fine Arts Boston.



Alinho 


É preciso voltar
às rosas mais antigas
e suas exuberâncias
e seus frémitos de infinito
às palavras surgentes
às vozes prometidas
nos ecos do que amanhece

é preciso voltar
aos gatos que compõem a noite
às cálidas cantorias
ao flagrante do gosto
aos votos interrompidos
às garatujas nos muros
às cigarras já sem valia

voltar será sempre preciso
girar a chave de formato único
pisar nas tábuas lassas e confessas
ouvir o apelo do oco
a ascese dos líquens no tronco
fazer irromper acenos que
contem não só desfechos.

Os silêncios recuperam
a porosidade das rochas
o advento das peças da flor
o insabido da brasa
e a razão à palavra.

É preciso acalentar
o momento em que se resolve
a história do espinho

e saborear
o estremecimento.


Luci Collin
, in "Rosa que está",
Iluminuras, 2019.
 

Obras de Claude Monet
 
Claude Monet, Flowered Riverbank, Argenteuil, 1877.
 
 

Claude Monet, Flowers at Vétheuil, 1881.
 
 
 
Claude Monet, Garden in Bloom at Sainte-Adresse, 1866.


 
Claude Monet, Poppy Field in a Hollow near Giverny,
(Champ de coquelicots dans un creux près de 
Giverny), 1888.
Museum of Fine Arts Boston
 
 
 
Claude Monet, Flowering Arches (Les arceaux fleuris), Giverny, 1913,
Phoenix Art Museum.
 
 
[Em Giverny localizam-se a Casa e os Jardins de Claude Monet (Maison et Jardins de Claude Monet – Giverny) que inspiraram tantas obras do artista.]
 

terça-feira, 21 de abril de 2026

"Uma Luz existe na Primavera" - Poema de Emily Dickinson



Auguste-Émile Pinchart (French painter and designer, 1842–1924),
 "Allegory of Spring", n.d.
 

Uma Luz existe na Primavera


Uma Luz existe na Primavera
Não presente no ano
Em qualquer outra estação –
Quando Março já chegando

Uma Cor se firma
Campos Solitários afora
Que a Ciência não alcança
Mas a Natureza Humana elabora.

Ela aguarda sobre a Relva,
A Árvore mais longínqua ela revela
E na mais remota Encosta, tu sabes,
Ela quase contigo fala.

Então quando Horizontes se movem
Ou meios-dias já longe ecoam
Sem a Fórmula do som
Ela se despede e nós ficamos –

Uma qualidade de perda
Que afeta nosso Contentamento
Como se Vendilhões subitamente
Houvessem usurpado um Templo.


Emily Dickinson
, in 'Duzentos Poemas'
 Tradução de Ana Luísa Amaral
 
 
 
'Duzentos Poemas' de Emily Dickinson
Tradução de Ana Luísa Amaral
Editor: Relógio D'Água, 2014 
 
 
Em vida, Emily Dickinson publicou menos de dez poemas. Após a sua morte, a 15 de Maio de 1886, Lavinia, a irmã, encontrou fechados numa caixa quase mil poemas.
 
 

Auguste-Émile Pinchart, Young woman with bouquet of flowers, 1901.



A Light exists in Spring
(Original)

A Light exists in Spring
Not present on the Year
At any other period –
When March is scarcely here

A Color stands abroad
On Solitary Fields
That Science cannot overtake
But Human Nature feels.

It waits upon the Lawn,
It shows the furthest Tree
Upon the furthest Slope you know
It almost speaks to me.

Then as Horizons step
Or Noons report away
Without the Formula of sound
It passes and we stay –

A quality of loss
Affecting our Content
As Trade had suddenly encroached
Upon a Sacrament.
 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

"Felina" - Poema de António Feijó

 


Paul de Vos (Flemish Baroque painter, 1595–1678), "Cats Fighting in a Larder", c. 1630/1640,
Museo del Prado
 

Felina


Galgam os gatos, guturais, gritando,
Nas gotejantes, glácidas goteiras,
As julietas maltesas namorando,
Em mios sensuais pelas trapeiras.

Chora, chapinha, chuviscando, a chuva!
No deserto beiral do meu telhado,
Uma cinzenta graziela viúva
Contempla o seu “miau” envenenado...

Há lamentosos, lutulentos lances,
Por sobre a telha de Marselha, oblonga...
Sonhos, idílios, infernais romances,
Cavaleiros de Malta e barba longa!

Dum, conheço uma história muito triste,
Dum que lembrava o D. João doutrora,
Sempre com o bigode e a cauda em riste...
Mas era longo referi-la agora.

Pelos sítios escusos dos telhados
Há gatas sem pudor fazendo vistas,
Traições, banzés, focinhos arranhados,
Baralhas de saloios e fadistas.

Ouvindo-os, entre insónias horrorosas,
Paroquiais, pesados pesadelos,
Guloso, gloso gloriosas glosas,
E faço caracóis com os cabelos!... 


António Feijó (1859-1917), in "Bailatas", 1907.
in "Poesias Completas", 2004.
 
 
 
Poesias Completas de António Feijó;
Prefácio de J. Cândido Martins;
Edições Caixotim, Porto, 2004.

Poesias Completas de António Feijó - Obra reeditada em 2004, com prefácio e fixação do texto de J. Cândido Martins e com o patrocínio do Município de Ponte de Lima, que apresenta a evolução estética da obra poética de António Feijó, que enquadra o lugar deste poeta limiano na História da Literatura Portuguesa e que sistematiza, no quadro da receção crítica da sua poesia, uma atualizada bibliografia passiva. (daqui)
 

domingo, 19 de abril de 2026

"Amor Perfeito" - Poema de Cecília Meireles

 

 
Frieda Blell (German landscape painter, 1874–1951), 
"Stillleben mit Stiefmütterchen", c. 1913. 
Gouache auf Papier 


Amor Perfeito

 
Suas cores são as de outrora,
com muito pouca diferença:
o roxo foi-se quase embora,
o amarelo é vaga presença.
E em cada cor que se evapora
vê-se a luz do jardim suspensa.

Tão fina foi a vida sua,
tão fina é a morte em que descansa!
Mais transparente do que a lua,
mais do que as borboletas mansa!
Tanto o seu perfil atenua
que, em peso, é menos que a lembrança.

Veludo de divinos teares,
hoje seda seca e abolida,
preserva os vestígios solares
de que era feita a sua vida:
frágil coração, capilares
de circulação colorida.

Se o levantar entre meus dedos,
pólen de tardes e sorrisos
cairá com tímidos segredos
de tempos certos e imprecisos.
Ó cinco pétalas, ó enredos
de sentimentais paraísos!

Mas de leve gota pousada
no veludo, - mole diamante
que foi a resposta da amada,
que foi a pergunta do amante –
dela não se verá mais nada:
perdeu-se no vento inconstante.


Cecília Meireles,
in "Mar absoluto e outros poemas", 1945.
 
 
 
Viola tricolor
(amor-perfeito) 


Viola tricolor, popularmente conhecida como amor-perfeito e erva-trindade, é uma flor bienal selvagem eurasiática. É uma pequena planta rasteira que atinge no máximo 15 cm de altura, com flores de cerca de 1,5 cm de diâmetro. Cresce nos prados e nas fazendas abandonadas, principalmente em solos ácidos ou neutros. É geralmente encontrada onde há sombra parcial. Floresce de Abril a Setembro. As flores da viola tricolor ou amores perfeitos podem ser roxas, azuis, amarelas ou brancas. É hermafrodita e autofértil, polinizada pelas abelhas. (daqui)
 
 

Leo Putz (Tyrolean painter, 1869–1940), Frieda Blell, 1908.

(Portrait by her future husband, Leo Putz)



"Elegância é a arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado subtil de se deixar distinguir."

Paul Valéry 
[Filósofo, escritor e poeta francês, 1871–1945]
 

"Rios sem discurso" - Poema de João Cabral de Melo Neto



André Derain (French artist, painter, sculptor and co-founder, with Henri Matisse,
of Fauvism, 1880–1954), The River – Georges Pompidou Center, Paris.


Rios sem discurso  
 
                                                              A Gabino-Alejandro Carriedo

Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma;
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria. 

O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloquência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
in "A Educação pela Pedra", 1966.

 

André Derain, Le Port de Collioure, 1905. Musée d'Art moderne de Troyes.



"O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê."

(Frase atribuída ao filósofo e matemático Platão)
 
 
 
 André Derain, Fishing Boats, Collioure, 1905.
 

"A sabedoria consiste em ordenar bem a nossa própria alma." 

Platão, in "A República"
 
 
 
Walter Crane (English artist and book illustrator, 1845–1915), 
 "Plato meditating  on immortality before the grave of his teacher,
 Socrates, the butterfly, skull and poppy", 1884.

["Platão Meditando sobre a Imortalidade da Alma", ante uma caveira, borboleta e papoila na tumba de Sócrates (c. 470 a.C. – Atenas, 399 a.C.). Gravura do século XIX, alegadamente baseada em um intaglio em gema mais antigo.]

Platão

Um dos pensadores mais influentes de toda a história da filosofia, nasceu em Atenas cerca de 427 a. C.

Dando continuidade às preocupações de Sócrates, seu mestre, tentou ultrapassar o relativismo que resultava das doutrinas dos sofistas, incapazes de superar a antinomia entre ser e devir, tal como haviam sido enunciados por Parménides de Élea e Heraclito.

É o primeiro filósofo de cujas obras foi preservada uma parte significativa, o que permite reconstituir com grande fidedignidade as traves mestras do seu pensamento.

No núcleo do sistema platónico encontra-se a distinção radical entre o mundo sensível e o mundo inteligível, cada um deles com existência autónoma.

O primeiro corresponde ao mundo da corporeidade, contingente e corruptível, domínio da mudança, da diversidade e das aparências; o segundo é o mundo das essências ideais, imutáveis, necessárias e eternas, em suma, da permanência, da unidade e da Verdade universal.

Dotadas de uma existência objetiva independentemente de qualquer sujeito cognoscente, as essências ideais, ou Ideias, são para Platão os arquétipos (modelos) a partir dos quais foram formados - por «imitação», ou mimésis - todos os entes do mundo sensível. O agente dessa intervenção teria sido uma divindade (o demiurgo) que, dessa forma, fez transitar a physis (o mundo físico, a natureza) de um estado primordial de desordem (o caos) à ordem.

No âmbito gnosiológico, o dualismo idealista de Platão tem como consequência, do ponto de vista formal, a inoperância de todo o conhecimento empírico.
Este, de ordem indutiva e tomando por base as representações sensíveis, reporta-se apenas a uma realidade contingente e mutável, não podendo elevar o sujeito além da mera doxa (opinião).
 
Do ponto de vista material, por maioria de razão, o conhecimento que tem por objeto a physis é relegado para um plano subalterno em favor de todo o saber baseado na contemplação inteletiva dos puros conceitos, com especial incidência na matemática e na ética. Associando a unidade, a harmonia, a virtude e a sabedoria, tal como Sócrates, Platão coloca no topo da hierarquia das Ideias do mundo inteligível, enquanto elementos unificadores, as ideias de Uno, de Bem e de Belo.

Subsidiária da mesma arquitetónica dualista, a antropologia platónica considera a alma como essência do homem, vendo o corpo apenas como uma prisão que lhe limita todas as potencialidades. Participando dos atributos do inteligível, a alma é considerada imortal e originária do mundo das Ideias, pelo que a sua existência no mundo físico deve ser orientada para libertação de todas as solicitações materiais e sensuais através do uso da razão e da prática da virtude, visando atingir o saber da Verdade, num processo de ascese que lhe permita regressar ao mundo de plenitude a que genuinamente pertence.

Esse processo de ascese baseia-se no método que Platão designa como dialéctica e caracteriza-se pelo recurso ao diálogo e à discussão dos conceitos tendo em vista a respetiva consciencialização e esclarecimento, com a finalidade de facilitar a reminiscência (ou anamnese) - isto é, o relembrar - das Ideias que a alma havia contemplado aquando da sua permanência no mundo inteligível.

No que respeita ao pensamento político, Platão foi em grande parte influenciado pela sua ascendência e formação aristocráticas, atribuindo ao regime democrático, geralmente defendido pelos sofistas, a responsabilidade pela decadência de Atenas. Assim, a organização da cidade modelo que sugeriu deixa transparecer uma visão elitista ao gravitar em torno de uma triagem apertada dos cidadãos em que o lugar do indivíduo se esvai, cedendo perante a força do interesse comum ditado pelos «mais aptos».

O objetivo da seleção dos cidadãos seria a distribuição destes em três ordens, de acordo com o carácter que demonstrassem: à ordem dos governantes pertenceriam os sábios, que se deixam conduzir pela justiça, cabendo ao melhor dos quais, após um longo período de formação, o cargo de Filósofo-Rei, autoridade última da cidade; aqueles que se distinguissem pela coragem deveriam integrar a ordem dos guardiões, com a tarefa de zelar pela segurança interna e externa da cidade; os restantes, que se deixam dominar pelas coisas dos sentidos, fariam parte da ordem dos produtores, com a função de prover às necessidades materiais da cidade, cuidando da agricultura, da indústria e do comércio.

Para evitar qualquer elemento de conflitualidade e discórdia na cidade, Platão defende também quer a comunidade dos bens, quer a comunidade das mulheres e dos filhos. Além disso, propõe que todas as crianças deveriam ter uma educação comum para que o processo de seleção dos melhores pudesse decorrer com eficácia e sem desvios.

Platão morreu em 347 a. C. já com idade avançada, deixando, no entanto, um grande número de discípulos que reconheciam a fecundidade das suas teses.
A Academia que fundara em 385 a. C. para proporcionar formação a todos quantos o quisessem seguir sobreviveu quase mil anos até ter sido mandada encerrar por Justiniano I em 529 d. C. Porém, a perenidade do seu pensamento foi muito além dessa data, sendo ainda hoje reconhecido o seu legado como um dos mais marcantes para a génese da atual cultura ocidental.

Obras de Platão:
 
Classificação clássica em tetralogias, segundo Trasílio, da Corte de Tibério.

1.a tetralogia: Êutifron, Apologia de Sócrates, Críton, Fédon.
2.a tetralogia: Crátilo, Teeteto, Sofista, Político.
3.a tetralogia: Parménides, Filebo, Banquete (ou Simpósio), Fedro.
4.a tetralogia: I* e II* Alcibíades, Hiparco*, Rivais* (ou Anterastai).
5.a tetralogia: [Teágenes], Cármides, Laques, Lísias.
6.a tetralogia: Eutidemo, Protágoras, Górgias, Ménon.
7.a tetralogia: Hípias Menor, Hípias Maior*, Íon*, Menexeno.
8.a tetralogia: [Clitofonte], República, Timeu, Crítias.
9.a tetralogia: [Minos], Leis, [Definições], [Cartas ].

Todas as obras, com exceção da Apologia de Sócrates e das Cartas, foram redigidas em forma de diálogo.*
- Diálogos cuja autenticidade merece algumas dúvidas.
 
Entre [] - Obras quase unanimemente consideradas apócrifas (com exceção da Carta VII). (daqui)
 


André Derain, Le séchage des voiles (The Drying Sails), 1905, oil on canvas, 82×101 cm,
Pushkin Museum, Moscow. Exhibited at the 1905 Salon d'Automne.