sábado, 18 de março de 2017

"Que assim sai a manhã serena e bela" - Soneto de João Xavier de Matos



William Oliver (English artist, 1823–1901), 'Olivette', ca. 1845



Que assim sai a manhã serena e bela


Que assim sai a manhã serena e bela
Como vem no horizonte o sol raiando!
Já se vão os outeiros divisando,
já no céu se não vê nenhuma estrela

Como se ouve a rústica janela
do pátrio ninho o rouxinol cantando!
Já lá vai para o monte o gado andando,
já começa o barqueiro a içar a vela.

A pastora acolá, por ver o amante,
com o cântaro vai à fonte fria;
cá vem saindo alegre o caminhante; 

Só eu não vejo o rosto da alegria:
que enquanto de outro sol morar distante,
não há de para mim nascer o dia.


João Xavier de Matos
[Poeta português, 1730/5–1789]


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