Juan Bautista Maíno (Spanish Baroque painter, 1581–1649),
'Adoration of the Shepherds', c. 1615–1620, oil on canvas,
Meadows Museum
Poema de Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar nossos mortos
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos
Por isso precisamos de velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes,
in 'Poemas, Sonetos e Baladas', 1946,
Editora Gaveta
Juan Bautista Maíno (Spanish Baroque painter, 1581–1649),
'Adoration of the Magi ', c. 1612–1614, Museo del Prado.
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