Winslow Homer (American landscape painter and illustrator, 1836–1910),
"The Woodcutter", 1891
Soneto XXXV
Quando eu morrer e no frescor de lua
Da casa nova me quedar a sós,
Deixai-me em paz na minha quieta rua...
Nada mais quero com nenhum de vós!
Quero é ficar com alguns poemas tortos
Que andei tentando endireitar em vão...
Que lindo a Eternidade, amigos mortos,
Para as torturas lentas da Expressão!...
Eu levarei comigo as madrugadas,
Pôr de sóis, algum luar, asas em bando,
Mais o rir das primeiras namoradas...
E um dia a morte há de fitar com espanto
Os fios de vida que eu urdi, cantando,
Na orla negra do seu negro manto...
Mário Quintana (1906–1994),
in "A Rua dos Cataventos", 1940;
in "Poesia completa", 2005,
Ed. Nova Aguillar
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