János Lászlo Aldor (Hungarian painter and architect, 1895 - 1944),
'Woman Knitting', n.d.
A velha tia
A velha tia, de tão velho sangue,
quase que a vejo a ler, a vista já cansada,
ou a fazer crochê nas tardes claras,
de grossos óculos e mãos de abelha;
quase que a vejo, quando em pleno Agosto,
numa explosão de pétalas e mel,
o pessegueiro é todo uma só flor,
uma só flor, formada de mil flores cor-de-rosa.
E o Amor com que fazia as suas colchas,
ponto a ponto, por meses e por meses,
a linha machucada nas águas
e rosas brancas a nascerem como rendas,
o amor da velha tia, de tão velho sangue,
volta no pessegueiro que nasceu por sua mão,
todo ele uma só nuvem cor-de-rosa,
mais de cor-de-rosa do que as flores das paineiras;
e são seus velhos dias que florescem novamente,
no doce pessegueiro a murmurar de abelhas.
E se assim é na terra,
fico a pensar que a velha tia, de tão velho sangue,
a velha tia, tão modesta e resignada,
se céu existe, nele é puro pessegueiro,
aberto em rosa e em favos gotejantes.
Péricles Eugênio da Silva Ramos
Janos Laszlo Aldor, 'Playing with a kitten'
"O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas.
"O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas.

Janos Laszlo Aldor, 'Children with a cat'
"Eu conheci muitos pensadores e muitos gatos, mas a sabedoria de gatos é infinitamente superior".
Hippolyte Taine citado em "Zooléo" - núms. 20-29, pág. 176,
de Société de botanique et de zoologie congolaises.


Sem comentários:
Enviar um comentário