Solidão
Solidão:
Solidão:
Ouvir passos, sabendo de antemão
que ninguém vai passar,
bater à porta.
que ninguém vai passar,
bater à porta.
Abrir, ansiosa, a caixa do correio,
duas vezes por dia,
sabendo muito bem
que está vazia.
Olhar o telefone horas a fio,
ano após ano,
tocar a campainha
e ouvir dizer: ”Desculpe, foi engano.”
Ouvir ranger a porta do ascensor,
senti-lo estremecer,
arrancar com uma espécie de estertor,
e, enfim, parar,
mas sempre noutro andar.
Pôr na mesa um talher
para alguém que vier,
sabendo muito bem
que ninguém vem.
Pôr um vestido novo,
um anel, um colar,
sabendo que ninguém vai reparar.
Ver o cabelo embranquecer aos poucos,
a pele envelhecer, perder o viço,
e ninguém dar por isso.
duas vezes por dia,
sabendo muito bem
que está vazia.
Olhar o telefone horas a fio,
ano após ano,
tocar a campainha
e ouvir dizer: ”Desculpe, foi engano.”
Ouvir ranger a porta do ascensor,
senti-lo estremecer,
arrancar com uma espécie de estertor,
e, enfim, parar,
mas sempre noutro andar.
Pôr na mesa um talher
para alguém que vier,
sabendo muito bem
que ninguém vem.
Pôr um vestido novo,
um anel, um colar,
sabendo que ninguém vai reparar.
Ver o cabelo embranquecer aos poucos,
a pele envelhecer, perder o viço,
e ninguém dar por isso.
Morrer. E alguém ler num jornal:
Morreu Fulana. O funeral…
Fernanda de Castro, in Urgente, 1989,
Lisboa, Guimarães Editores (1.ª Edição).
,%20Casa%20Museu%20Fernando%20de%20Castro.png)
Sem comentários:
Enviar um comentário