quinta-feira, 3 de novembro de 2016

"Vai a fresca manhã alvorecendo" - Poema de Marquesa de Alorna


 
Wright Barker (English painter, 1863–1941), 'Mares with a Foal in Parkland', 1911


Vai a fresca manhã alvorecendo


Vai a fresca manhã alvorecendo,
vão os bosques as aves acordando,
vai-se o Sol mansamente levantando
e o mundo à vista dele renascendo.

Veio a noite os objetos desfazendo
e nas sombras foi todos sepultando;
eu, desperta, o meu fado lamentando.
fui com a ausência da luz esmorecendo. 

Neste espaço, em que dorme a Natureza.
porque vigio assim tão cruelmente?
Porque me abafa ó peso da tristeza?

Ah, que as mágoas que sofre o descontente,
as mais delas são faltas de firmeza.
Torna a alentar-te, ó Sol resplandecente!


Marquesa de Alorna,
in 'Antologia Poética' 
 

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