sexta-feira, 11 de agosto de 2017

"Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça" - Poema de Álvaro de Campos



Émile Bernard (French Post-Impressionist painter and writer, 1868–1941),
'Boats at Pont-Aven', 1890, Private collection


Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça


Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea —
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem —
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.

31-12-1929 

Álvaro de Campos,
in 'Poesias de Álvaro de Campos' - Fernando Pessoa.
 Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 41.
 


Émile Bernard, 'Breton Landscape', 1890-1891, Private collection


"Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer.


Amyr Klink in "Cem dias entre céu e mar‎" - Página 6, 
Publicado por Companhia das Letras, 1985. 



Émile Bernard, 'The Harbor at Saint-Briac', 1887. 


"Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livro ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece, para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos e não simplesmente como ele é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver... Il faut aller voir - é preciso ir ver! É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo". (daqui)


Amyr Klink, in "Mar sem fim: 360̊ ao redor da Antártica‎". Publicado por Companhia das Letras, 2000.



Émile Bernard, 'The Cliffs of Pouldu', 1887, Private collection. 


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