
Émile Bernard (French Post-Impressionist painter and writer, 1868–1941),
'Boats at Pont-Aven', 1890, Private collection
Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea —
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem —
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.
31-12-1929
Álvaro de Campos,
in 'Poesias de Álvaro de Campos' - Fernando Pessoa.
Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 41.
Émile Bernard, 'Breton Landscape', 1890-1891, Private collection
"Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer.
Amyr Klink in "Cem dias entre céu e mar" - Página 6,
Publicado por Companhia das Letras, 1985.
"Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livro ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece, para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos e não simplesmente como ele é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver... Il faut aller voir - é preciso ir ver! É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo". (daqui)
Amyr Klink, in "Mar sem fim: 360̊ ao redor da Antártica". Publicado por Companhia das Letras, 2000.


Sem comentários:
Enviar um comentário