Alex Colville (Canadian painter and printmaker, 1920–2013),
Soldier and Girl at Station, 1953.
Declaração de amor em tempo de guerra
Senhora, eu vos amarei numa alcova de seda,
entre mármores claros e altos ramos de rosas,
e cantarei por vós árias serenas
com luar e barcas, em finas águas melodiosas.
(Na minha terra, os homens, Senhora,
andavam nos campos, agora.)
Para ver vossos olhos, acenderei as velas
que tornam suaves as pestanas e os diamantes.
Caminharão pelos meus dedos vossas pérolas,
— por minha alma, as areias destes límpidos instantes.
(Na minha terra, os homens, Senhora,
começam a sofrer, agora.)
Estaremos tão sós, entre as compactas cortinas,
e tão graves serão nossos profundos espelhos
que poderei deixar as minhas lágrimas tranquilas
pelas colinas de cristal de vossos joelhos.
(Na minha terra, os homens, Senhora,
estão sendo mortos, agora.)
Vós sois o meu cipreste, e a janela e a coluna
e a estátua que ficar, — com seu vestido de hera;
o pássaro a que um romano faz a última pergunta,
e a flor que vem na mão ressuscitada da primavera.
(Na minha terra, os homens, Senhora,
apodrecem no campo, agora...)
Declaração de amor em tempo de guerra
Senhora, eu vos amarei numa alcova de seda,
entre mármores claros e altos ramos de rosas,
e cantarei por vós árias serenas
com luar e barcas, em finas águas melodiosas.
(Na minha terra, os homens, Senhora,
andavam nos campos, agora.)
Para ver vossos olhos, acenderei as velas
que tornam suaves as pestanas e os diamantes.
Caminharão pelos meus dedos vossas pérolas,
— por minha alma, as areias destes límpidos instantes.
(Na minha terra, os homens, Senhora,
começam a sofrer, agora.)
Estaremos tão sós, entre as compactas cortinas,
e tão graves serão nossos profundos espelhos
que poderei deixar as minhas lágrimas tranquilas
pelas colinas de cristal de vossos joelhos.
(Na minha terra, os homens, Senhora,
estão sendo mortos, agora.)
Vós sois o meu cipreste, e a janela e a coluna
e a estátua que ficar, — com seu vestido de hera;
o pássaro a que um romano faz a última pergunta,
e a flor que vem na mão ressuscitada da primavera.
(Na minha terra, os homens, Senhora,
apodrecem no campo, agora...)
Cecília Meireles, in Obra Poética,
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983.
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