sexta-feira, 19 de junho de 2026

"Árvore, cujo pomo, belo e brando" - Poema de Luís de Camões

 

 
Henri Harpignies
(Peintre paysagiste, aquarelliste et graveur français
 de l'École de Barbizon, 18191916), 'Clair de lune', 1889.


Árvore, cujo pomo, belo e brando

 
Árvore, cujo pomo, belo e brando,
natureza de leite e sangue pinta,
onde a pureza, de vergonha tinta,
está virgíneas faces imitando;

nunca da ira e do vento, que arrancando
os troncos vão, o teu injúria sinta;
nem por malícia de ar te seja extinta
a cor, que está teu fruto debuxando.

Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo
a meu contentamento, e favoreces
com teu suave cheiro minha glória,

se não te celebrar como mereces,
cantando-te, sequer farei contigo
doce, nos casos tristes, a memória.


Luís de Camões (1524–1580), 'Sonetos',
in 'Obras completas'





"Já matei bastantes árvores no mundo."


Stephen Edwin King (Escritor norte-americano de terror e suspense, n. 1947)
[Stephen King anunciando que não escreverá mais e com isso economizará papel, poupando as árvores;
citado em Revista Veja, Edição 1737, 06-02-2002.]
 

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