cantados por Daniel Completo. Editora Canto das Cores.)
Semeei no meu quintal
Semeei no meu quintal
sementes de tangerina
nasceram duas cadelas
uma gorda e outra fina.
Semeei no meu quintal
sementes de hortelã
nasceram duas gatinhas
uma gigante e outra anã.
Semeei no meu quintal
sementes de tangerina
nasceram duas cadelas
uma gorda e outra fina.
Semeei no meu quintal
sementes de hortelã
nasceram duas gatinhas
uma gigante e outra anã.
Semeei no meu quintal
sementes de couve tenrinha
nasceram duas frangas pretas
um coelho e uma galinha.
Semeei no meu quintal
sementes de manjerico
nasceram dois sabonetes
uma toalha e um penico.
Semeei no meu quintal
sementes de boa pimenta
nasceram dois carrapatos
em cima duma jumenta.
Semeei no meu quintal
sementes de cravos vermelhos
nasceram duas cobras novas
e dois sapos muito velhos.
Semeei no meu quintal
fartei-me de semear
só não pus côdeas de pão
porque não as posso trincar.
do livro "Se tu visses o que eu vi".
Editor: Gailivro
Editor: Gailivro

"Se tu visses o que eu vi" de António Mota,
Ilustração de Elsa Navarro
3ª ed. Gailivro, 2005.
António Mota, escritor português, nasceu em 1957, em Vilarelho, Ovil, no concelho de Baião, no distrito do Porto. Professor do Ensino Básico aposentado, publicou manuais escolares e é, com frequência, convidado a visitar Escolas Básicas, Secundárias e Bibliotecas Públicas em diversas localidades do país. Solicitado, também, a intervir em ações realizadas pelas Escolas Superiores de Educação, em todas elas partilha com os seus interlocutores experiências e memórias.
Autor com muitas dezenas de títulos, regularmente publicados, após a sua estreia literária (A Aldeia das Flores, 1979), foi galardoado, em 1983, com um prémio da Associação Portuguesa de Escritores (O rapaz de Louredo); em 1990, recebeu o Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças (Pedro Alecrim) e, em 1996, ganhou o Prémio António Botto. Em 2011, Pinguim foi uma das três obras nomeadas para o Prémio de melhor livro de Literatura Infantil de 2010, no âmbito dos Prémios SPA/RTP (Sociedade Portuguesa de Autores / Rádio Televisão Portuguesa).
Repartindo-se os textos do Autor, na generalidade, entre o conto (Abada de histórias, 1989; O Lobisomem, 1994) e a novela (Os Sonhadores, 1991; A Terra do Anjo Azul, 1994; Os Heróis do 6.ºF, 1996), não enjeita, porém, aventurar-se pelos caminhos do reconto (David e Golias, 1995) e da poesia (Sal, sapo, sardinha, 1996).
Com o coração e os olhos bem abertos para o mundo que o rodeia (em especial, um certo mundo rural duriense em processo de desertificação), tem a capacidade de transmitir aos leitores, de forma pitoresca e escorreita, experiências e sentimentos resultantes de verdadeiros atos de amor pelos seres que com ele coabitam (A Aldeia das Flores, 1979; O grilo verde, 1984; O rebanho perdeu as Asas, 1987; Jaleco, 1991). Incapaz de se distanciar das personagens, entra-lhes na pele, veste-as, sente-se, ele, também, quase interveniente, mesmo quando o seu discurso se processa na terceira pessoa. É essa aproximação afetiva de personagens-crianças, em vias de se tornarem adolescentes, e o conhecimento das suas preocupações e anseios (Cortei as tranças, 1990; Pedro Alecrim, 1988; O rapaz de Louredo, 1992) que conferem comunicabilidade à escrita de António Mota e lhe têm granjeado considerável número de leitores entre os jovens, que não resistem a esse convite para penetrar, pela mão de um entendido, no mundo exterior, desconhecido e agressivo, da cidade e do campo, ou, para com ele, partilharem alegrias, angústias e sonhos. – Quem é Quem na Literatura Infantojuvenil, 10/2011 (daqui)

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