terça-feira, 18 de junho de 2013

"Ser Poeta" - Poema de Florbela Espanca



Albert Lynch (French painter of German and Peruvian ancestry,
1860–1950), 'Portrait d'une femme', 1895



Ser Poeta


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca (18941930),
in "Charneca em Flor"


Ser Poeta de Florbela Espanca - Cantado por Luís Represas 



"A canção, expressão da melancolia, do amor, do entusiasmo, só morrerá se estes sentimentos morrerem; ela é, como o suspiro, como o grito, um dos movimentos naturais da alma." 


Eça de Queirós
[Escritor e diplomata português, 1845–1900]
 
 

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