
Columbano Bordalo Pinheiro, "Últimos momentos de Camões", 1876
Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
[Descrição: Pintura de história. Num modesto quarto vê-se o poeta sentado na cama com o cobertor até à cintura, segurando um bilhete na mão direita e pondo teatralmente a mão esquerda no peito, falando com um homem trajando à século XVI que está de costas, aos pés da cama. Alusão ao momento quando o poeta terá pronunciado a célebre frase a ele atribuída "Ao menos morro com a Pátria!" ao saber do fim inglório da dinastia de Avis e da tomada de poder de Filipe II de Espanha em 1580.] (daqui)
Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente
Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que já as frequências suas me ensinaram
A desejos deixar de ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
De Amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!
Luís de Camões, in "Sonetos"
Museu do Chiado, Lisboa.
"As desordens da mocidade são outras tantas conspirações contra a velhice;
pagam-se caras, à tarde, as loucuras da manhã."
"As desordens da mocidade são outras tantas conspirações contra a velhice;
pagam-se caras, à tarde, as loucuras da manhã."

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