Aguarela 53 x 32 cms.
Princesa do Sul
Tarde plena. A cidade, nesta hora,
Enche-se de luz. O sol aquece-a
E dá-lhe uns tons doirados, como outrora
Teixeira Gomes só achou na Grécia.
Daqui até à Rocha, ir de viagem,
A bem dizer, é como dar um salto
E embebedar os olhos de paisagem
Onde ela atinge o esplendor mais alto!
Ali, obra de Deus, que não de humano
Poder, é tanta a mágica beleza,
Que, diante dela, até o velho oceano
Humildemente se ajoelha e reza!...
E quando a noite vem, cobrindo tudo
Do negrume estrelado do seu manto,
Acende-se um presépio em Ferragudo,
Refletindo no rio um raro encanto...
Mas, dia ou noite, é sempre uma visão
Estranha e bela de país de sonho
A que se tem, aqui, em Portimão,
Donde, às vezes, me vem a inspiração
Para os humildes versos que componho!
Ó Princesa do Sul! Inutilmente
Me consumo no intuito de cantar-te!
- Senhor! Tanta beleza em minha frente,
E eu com tão pouca, ou sem nenhuma arte!...
João Braz, em "Esta riqueza que o Senhor me deu", 1953
Do seu currículo constam vários prémios e Rui Pinheiro está representado em coleções em Portugal e no estrangeiro. Vem mencionado em livros como “Aspetos das Artes Plásticas em Portugal”, “Anuário das Artes Plásticas” e outras publicações, tendo editado a sua própria quando comemorou 35 anos de exposições.
Expõe regularmente desde 1987, tendo realizado 80 exposições individuais e mais de uma centena de coletivas. Em 2003 foi distinguido pela Câmara Municipal de Sintra com a Medalha de Prata de “Mérito Municipal” e em 2013 recebeu, pelo Rotary Club de Mafra, o diploma de Reconhecimento Profissional na Área das Artes Plásticas. (daqui)
"A principal tarefa da educação moderna não é somente alfabetizar, mas humanizar criaturas."
Cecília Meireles, em Entrevista
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