
Eva Gonzalès (French Impressionist painter, 1849–1883),
'Morning Awakening', 1876
Saudade do teu corpo
Tenho saudades do teu corpo: ouviste
correr-te toda a carne e toda a alma
o meu desejo – como um anjo triste
que enlaça nuvens pela noite calma?...
Anda a saudade do teu corpo (sentes?...)
Sempre comigo: deita-se ao meu lado,
dizendo e redizendo que não mentes
quando me escreves: «vem, meu todo amado...»
É o teu corpo em sombra esta saudade...
Beijo-lhe as mãos, os pés, os seios-sombra:
a luz do seu olhar é escuridade...
Fecho os olhos ao sol para estar contigo.
É de noite este corpo que me assombra...
Vês?! A saudade é um escultor antigo!
António Patrício, 'Poesia Completa'
Lisboa, Assírio e Alvim, 1989
Frederick Childe Hassam (American Impressionist painter, 1859–1935),
'Morning Light', 1914, Oil on canvas, 86,4 x 86,4 cm.
Hora de ter saudade
Houve aquele tempo...
(E agora, que a chuva chora,
ouve aquele tempo!)
Lisboa, Assírio e Alvim, 1989
Frederick Childe Hassam (American Impressionist painter, 1859–1935),
'Morning Light', 1914, Oil on canvas, 86,4 x 86,4 cm.
Hora de ter saudade
Houve aquele tempo...
(E agora, que a chuva chora,
ouve aquele tempo!)
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